A Síndrome da Mulher Príncipe

16 jul

E hoje, no “Dia do Homem” (juro que um dia serei evoluída o suficiente para entender a função dessa data) que tal falar sobre mulheres?

Já há algum tempo que eu investigo a – por mim chamada – “Síndrome da Mulher Príncipe”. As mulheres frequentemente são acusadas de esperarem um “Príncipe Encantado”. “Tem mulher que não dá certo com ninguém porque idealiza uma coisa que não existe!”, “Elas querem o que, alguém que chegue no cavalo branco para libertá-la da torre?” “Isso não existe. Culpa da Disney!”, são algumas das verdades absolutas que ouvimos por aí. Mas será que alguém já parou para prestar atenção na Mulher Príncipe?

A Mulher Príncipe não espera seu Príncipe Encantado: ela vê um homem desamparado, sozinho, desolado, e acha que pode fazer algo para melhorar a vida dele. A Mulher Príncipe quer salvar. Ela está ali bem resolvida, bonita, com uma vida profissional satisfatória. Ela não precisa de você. Ela não precisa de ninguém. Mas ela cisma em tirar alguém de um suposto poço de escuridão. A ideia de companheirismo dela é tão forte, que ela está disposta a fazer o que for, despindo-se de qualquer egoísmo para ajudar o homem desejado. Ela não quer ser a mocinha, ela quer ser necessária. Quer chegar no cavalo branco e resolver a vida do amado. Veja bem: há uma diferença no caso da Mulher Príncipe e no de mulheres que têm a vontade/esperança de MOLDAR alguém. A Mulher Príncipe quer, veja bem, ajudar.

Acontece que nem todo mundo quer ser ajudado. Na realidade a maioria das pessoas não quer, busca apenas seguir sua vida e se alguém quiser que se molde a ela (desde que não atrapalhe, é claro!). Para um homem, ou para a sociedade em geral, a Mulher Príncipe pode facilmente passar por uma insana controladora. Não é possível alguém querer ajudar em troca de um pouco de amor.

Quando me dizem que homens tem medo de mulheres independentes, eu discordo totalmente. As pessoas não tem medo de homens solteirões e mulheres independentes, têm medo de precisarem umas das outras. Têm medo de ter alguém tão necessário que não seja possível se desvencilhar facilmente. Quase todo mundo busca a metade da laranja, mas ninguém de fato quer ser ou ter metade. Só o todo interessa.

Talvez a Mulher Príncipe precise vestir um pouco o manto do egoísmo e se deixar ser salva de vez em quando ou quem sabe, salvar a si mesmo já pode ser um ótimo começo.

“Que mundo é esse” ou “O incrível mundo onde as vítimas pedem desculpas”

12 jun

Em menos de 20 minutos li duas notícias chocantes sobre a violência sexual contra a mulher. Uma relatava a situação vergonhosa dos chamados capacetes azuis em missão no Haiti, trocando produtos como remédio e comida e outros itens básicos de sobrevivência por sexo com as mulheres locais. A outra, bem mais próxima, relatava o assédio sofrido por uma adolescente de 16 anos por 3 homens aqui pertinho de casa. Caminho que eu fiz muitas vezes voltando do trabalho. Levantaram sua blusa, abusaram e o estupro só não se confirmou porque alguém passou e ela teve chance de correr. Os comentários estarrecidos são similares: “a que ponto chegamos”, “que mundo vivemos?” “Onde vamos parar?”, etc. A infeliz realidade é que os casos de abusos não são de hoje. Não são uma doença do mundo atual e sim uma doença que já deveria ter sido virada!

Abusos sexuais, estupros, assédios… Todos existem e assolam mulheres desde que o mundo é mundo. A única diferença é que com a quantidade de informação disponível atualmente, temos acesso a todos os casos que poderiam passar desconhecidos. 

Nós somos casos desconhecidos. Eu sou. Sua amiga é. Sua mãe é. No mínimo elas já foram agarradas em alguma situação, cantadas nas ruas, tiveram seus braços puxados ou mãos bobas de desconhecidos em partes do seu corpo. No mínimo. No básico que até nós acabamos aceitando por achar normal sermos vistas como pedaços de carne à disposição.

“Que exagero!”. 

Eu, até hoje, passei pelo chamado “mínimo”. Tomei até um susto maior quando estava em uma festa com banheiro unissex e ao entrar na cabine notei que um estranho tentava entrar comigo. Fiz um escândalo e ainda passei por louca por gritar na cabine do banheiro. Ufa! Bom comemorar, né? 

Ainda assim eu penso nas roupas quando vou sair de casa sozinha. Me preocupo quando vejo desconhecidas com roupas “arriscadas” e isso não é um julgamento!!! Faço uma pequena oração para que nada aconteça e elas cheguem em casa em segurança. Evito sair de casa sozinha a noite e desde que tenho carro, há 1 ano, raramente andei na rua sozinha ou com meu filho por medo de tudo que pode acontecer. Me preocupo quando amigas vão sair com algum “caso” novo ou quando saem sozinhas. Quando descobri o sexo do meu segundo filho, confesso que respirei aliviada por não ser uma menina, não porque “meninas são mais chatinhas” ou qualquer bobagem que digam por aí, mas porque o mundo ainda é MUITO cruel com as mulheres. Agora tenho a missão de criar dois homens que sejam os melhores homens que eu conheço principalmente com relação aos outros.

Todas as minhas palavras podem parecer histéricas para uns e retrógradas para outros (tipo “que merda ela respirar aliviada por ter um menino), mas pedir desculpas seria agir como as vítimas geralmente agem: se desculpando pelo abuso do outro. Eu e a maioria das mulheres somos vítimas de séculos e séculos de uma cultura que desvaloriza a mulher, que ensina a ter medo, a se “comportar” ou qualquer coisa que o valha. Eu sinto que tenho muito machismo enraizado e leio essas notícias, compartilho e falo sobre o tema justamente para mexer nessa ferida que não gostamos de cutucar. 

Sempre termino minhas reflexões pensando: “realmente, eu vivo protegida em um casulo”, mas como seria bom se nenhuma de nós precisasse de casulo… 

(Infelizmente eu não tenho respostas que ajudem a combater essa cultura e mentalidade tão cruéis com as mulheres)

O que tem para jantar?

6 jan

A cena na cozinha:

Tenho fazer um peito de frango saudável e rápido de panela que minha mãe faz. Coloco na panela. Tempero. Aguardo. Eles começam a queimar por fora enquanto ainda estão crus por dentro. Tento salvá-los e não consigo. Tiro-os da panela e picoto como Quentin Tarantino picotaria seu pior inimigo. Jogo em outra panela e “taca-lhe” azeite. Sujo o chão da cozinha e o fogão que a diarista limpou hoje. Saio jogando tira gordura em tudo enquanto esfrego. Bufo. Me queimo. A criança ainda não dormiu e já passa do horário. São quase 10 da noite e eu estou com fome. Foda-se tudo, cato a criança e coloco pra dormir sob protestos. Janto frango queimado e ruim cortado sem nenhuma simetria com milho em lata. Odeio todo mundo. Odeio fazer o jantar!

Na verdade há tempos esse é um dos grandes dilemas da dona de casa: o que fazer pro almoço? O que fazer pro jantar? O que fazer pro almoço? O que fazer pro jantar? Consigo imaginar a mulher das cavernas pensando 3 opções de jantar com uma opção de frango, carne ou peixe porque ela não sabia o que o Sr. Homem das Cavernas ia caçar.

Esse ciclo infinito parece consumir grande parte dos nossos dias, ainda mais porque não se pode mais simplesmente cozinhar uma salsicha e comer com aquele macarrão cheio de glúten e carboidrato a noite. Se você pensa: vou fazer uma carne com salada. Tem que sair, pra comprar a salada. Lava a salada. Tempera a salada. Pensa na carne. Considera uma batata sauté. Lembra que não tem salsinha. Nunca tem salsinha porque quando tem, ela estraga.  Falar em estragado, a batata já criou raízes na geladeira. Nessas o humor já foi pro espaço.

Aí sempre tem um bacana: “se organiza que dá!”. Tenho vontade de dar na cara de quem fala “se organiza” com os cinco dedos bem abertos  como se organização fosse algo que vende no mercado. Brother, se organização fosse um dom de todos eu não teria metade dos problemas que tenho na vida assim como se paciência fosse uma droga injetável, eu já estaria sem veias e internada numa clínica de reabilitação. “Faz tudo no final de semana e congela”. Mas que caralha que eu vou passar meu domingo cozinhando pra depois comer comida velha. E mais: não é porque eu vou fazer no final de semana que ela vai ficar boa!

Aí tem gente que faz o cardápio fixo da semana. Isso é inimaginável pra mim porque exige MUITA organização e espaço no freezer. E se na terça-feira eu não quiser comer peixe com brócolis? E se na quinta eu resolver pedir comida árabe?

Eu odeio cozinhar. Odeio porque não sei e não sei porque odeio. Odeio porque não sei e não sei porque odeio. Minha mãe também odeia, mas ela cozinha bem.

A minha cozinha sabe disso e agora me odeia. Uma vez vi um programa do Gordon Ramsay em que ele fazia um beef Wellington e enrolava a massa no papel filme. O papel filme dele fluia, ele comandava aquele papel filme. Era lindo e muito natural. Pensa se eu consigo fazer o mesmo com o meu papel filme. Pra começar não consigo nem achar a ponta. Depois ele enrola todo e se joga no chão. Gruda no meu dedo. Gruda na tesoura. Sai todo torto e grudado. Minhas panelas queimam minha comida porque me odeiam. Meu instinto me sabota “acho que isso é em fogo baixo”. “NÃO, É ALTO!”, diz a receita. Meu arroz faz o que ele quer. Assim, sem mais nem menos. Às vezes sai salgado, às vezes queima, às vezes fica bom.

Ta aí uma resolução de ano novo: fazer as pazes com a cozinha. A saúde agradeceria, a família e os vizinhos que convivem com o cheiro de comida ruim e o bate panela também!

lovenot

Diálogos 1 – A gordinha e a gostosa

28 out

Amiga – O que vc tá fazendo?

Amigo – Nada, estava olhando a gostosa ali.

Amiga – Onde?

Amigo – Ali.

Amiga – A gordinha?
Amigo – Não, ela é gostosa.
Amiga – Achei gordinha.
Amigo – Olha lá o tamanho do da mulher ali.
Amiga – De novo olhando mulher?
Amigo – Não. O tamanho do sorvete, cacete. Irado!
Amiga – Vamos pedir um?
Amigo – Não é você que não come doce, carboidrato, nitrato, cloridato ou rúcula depois das 20h porque está de dieta
e precisa emagrecer?
Amiga – Sim.
Amigo – E quer sorvete?
Amiga – É que acabei de mudar minha concepção de “gostosa”. Manda o sorvete!
Amigo – Duas colheres?
Amiga – Se fudê, não como doce há 3 meses, te vira.
robyn

Robyn Lawley, a modelo considerada “plus size” no mundo da moda

1 ano de Luiz Gustavo

4 jun

*Post reproduzido do Facebook, para não se perder com o tempo

O final de semana foi intenso e eu estou cansada e extasiada da mesma forma que me sentia 1 ano atrás. Mas preciso escrever ou não seria eu, vocês sabem… Que me desculpem os amigos que não os tem, por opção ou não, mas apesar dos inúmeros clichês do texto, ele é real e não há exagero, acreditem. A verdade é que não há, seja no caminho de Santiago de Compostela, durante um ano sabático ou isolado em um iglu na Groenlândia, maior jornada de autoconhecimento que ter um filho. Não há, seja em dinâmica de grupo ou jogos olímpicos, maior espírito de equipe que cuidar de um bebê: é você e seu “parceiro” (no meu caso, o marido), os familiares que se mobilizam para ajudar a qualquer momento, os amigos que entendem que, pelo menos por enquanto, sua balada tem hora pra começar e acabar e que ao invés de sair para almoçar é melhor te fazerem companhia em casa, pois seu filho está com febre vocês não podem sair. Não há, nem ao tentar montar um cubo mágico ou procurar uma agulha no palheiro, maior exercício de paciência. Anos de terapia não farão você entender tão bem seus pais (ainda que não mude a relação “eu sei tudo e você e seus anos de experiência que se lasquem). 

Nesse ano, minhas prioridades mudaram e minhas emoções também.

Quando penso, e já falei isso diversas vezes, na possibilidade desse último ano não ter sido sobre Luiz Gustavo e sim sobre uma viagem pelo mundo sem limite de gasto e acesso livre aos eventos e acontecimentos mais badalados não consigo, de verdade, imaginar como seria mais interessante, intenso e pleno quanto foi foi com Luiz Gustavo (mesmo que eu ache que fazer tal viagem não seria nada mal…  ). 

É o que sempre digo quando perguntam se vale a pena ou como é ser mãe: é tudo o que dizem sobre o sono, o choro do bebê, a vida que muda, o dinheiro que se gasta as relações que mudam e o amor incondicional. Mas sabe aquela pergunta “se você morresse hoje, teria gostado do seu último dia de vida?”. Desde que ele nasceu eu teria amado todos os meus últimos dias de vida, ainda que eu deseje que ele venha só daqui muiiiiito tempo, para eu poder acompanha-lo por muitos e muitos anos. Feliz aniversário, meu amor.

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